8 de maio de 2013

Errar tentando acertar..!

Pra mim é normal errar. Quer dizer, eu não acho normal, eu odeio errar, mas erro pra caramba, tentando acertar na maioria das vezes. Principalmente nas atitudes que dizem respeito aos meus filhos.
Agora por exemplo, esta semana...  coloquei os dois no mesmo quarto sem autorização prévia do meu mais velho que já ocupava e reinava absoluto no quarto ha exatos 5 anos. Tem atitude mais sem noção que esta? Eu explico:

Ha alguns meses o meu pequenino se jogou do berço, demonstrando ser o super bebê acrobata e a gente tirou o berço de circulação com medo de acrobacias mais radicais aparecerem por aqui. Compramos uma mini cama para o mini pessoa. Como a cama não tinha pronta-entrega a gente colocou ele para dormir no quarto do irmão até chegar a cama. Não deu muito certo porque ele estranhou o quarto, a cama e acordava no meio da noite, acordando também meu mais velho... foram umas 2 semanas.... partindo desta mal sucedida experiência quando a caminha chegou a gente colocou no quarto do baby mesmo e deixamos os dois ado ado ado cada um no seu quadrado.



Eis que o baby ficou doente, e com isso acabou usufruindo dos benefícios da cama dos pais, e depois que passou o dodói ele começou a dormir péssimo... me deixando muito cansada. E depois meu mais velho ficou doente também usufruindo do benefício e paparico do quarto dos pais (é lá em casa quem fica doente pode dormir com os pais) e a minha cama começou a ser invadida por dois seres loirinhos cheios de vontade de se aconchegar no meio do papai e da mamãe. Mas papai e mamãe não ficaram muito felizes com esta situação que começou a virar rotineira. Então papai e mamãe decidiram deixar os dois no mesmo quarto porque assim, um faz companhia pro outro. Certo?

Certo, mas e a história da experiência mal sucedida? Sublimei e pensei com muita esperança no coração que o fato de um estar do ladinho do outro pode ser mais positivo depois da adaptação do que negativo na acordação noturna. E de fato foi na primeira noite. Porém antes da primeira noite, quando eu cheguei em casa segunda-feira possuída pela mulher do Extreme Makeover  disposta a mudar os dois para o mesmo quarto e comecei a tirar as coisas do quarto do David ele começou a chorar. Falando que não queria que eu mexesse em nada. E eu mexendo em tudo tentava mostrar para ele a parte positiva de tudo aquilo. Mas ele simplesmente não enxergava. E depois disso com algumas negociações feitas, ele aceitou. Contrariado mas aceitou. E depois veio nele uma mega dor de cabeça seguida de febre, que claro não tem nada a ver com isso, mas que claro pode ter tudo a ver com isso. Sim estamos no outono, a cidade tá uma bola de vírus, todas as crianças doentes, o irmão dele estava doente semana passada e  blá blá blá.... mas ninguém tira da minha cabeça que o corpo e a mente tem caminhos engraçados, incoerentes e estranhos para fazer quando sofrem algum tipo de stress...

Enfim, depois de tudo, fiquei me sentindo uma mãe de merda. Eu sei que não sou, mas me senti de uma sensibilidade mínima e praticidade máxima. Não respeitei o espaço do meu menino, não dei a ele a chance de se acostumar com a idéia, de se adaptar, de me mostrar o que estava sentindo. Tudo vai ficar bem, assim espero, e tenho certeza de que os dois vão estreitar muito os laços dormindo no mesmo quarto, mas confesso que faltou tato e sensibilidade pra mim. Por isso que digo que neste caso errei. E chego a uma constatação básica, real e verdadeira perto do dia das mães: as mães erram. Talvez sejam absolvidas pelo fato de que erraram tentando acertar. Mas erram pra caramba. E quem foi que falou que ser mãe é fazer tudo certo?

9 de abril de 2013

A maternidade rosa


Para mim a maternidade é azul, porque eu sou mãe de dois meninos. Lindos. Amados. Insuportavelmente deliciosos. Porém ela tem um quê de rosa, porque quando se trata de falar dos meus filhos e da maternidade tenho uma visão romântica rosa e quase alilazada sobre o tema... Porque ter filhos para mim é fazer parte da mágica da vida, da benção divina de gerar um serzinho e proteger, cuidar, amar com tanto afinco que sua vida se transforma por completo. Você se transforma por completo. Não conheço uma mãe que continuou sendo a mesmíssima pessoa antes e depois dos filhos. Eu digo que é o AF e DF. Algumas mudam mais, outras menos, mas todas serão transformadas por um amor avassalador e preocupações e tormentas idem. E mesmo com todos os perrengues da maternidade (sim, mesmo no mundo cor-de-rosa ou lilás da maternidade, perrengues existem) o amor supera os perrengues e ser mãe me trouxe um sentido absurdo na vida. E descobri uma vocação incrível que eu nem imaginava existir dentro de mim. Ser mãe é definitivamente meu melhor papel, ou o que eu exerço com mais graça e dom natural.



A natureza me chamou  ha exatos 5 anos e 3 meses e eu fui. E eu fui duas vezes, porque gostei muito do caminho.  Para mim, ficar grávida, mesmo tendo enjôos em uma das gravidezes, usando soutien tamanho 48 e pedindo ajuda para amarrar os sapatos ou depilar me fazia sentir bonita, poderosa e especial. Sentir o passo a passo daquela barriga crescendo, o corpo mudando de forma, sentindo cada soluço, movimento de suave no começo a chutes doloridos no final, me fazia sentir viva, feliz, protetora dos meus rebentos. Me recordo do nascimento dos meus filhos com muita emoção... viveria isto de novo mil vezes, na minha cabeça, como num filme. Momentos mágicos que estão fincados na minha alma para sempre.

A maternidade me tornou uma pessoa melhor. A maternidade me ensina todos os dias. A maternidade rosa que eu enxergo, mesmo num universo completamente azul de carros, lutas e esportes radicais, me faz feliz, me faz viva, me faz pessoa. Maternidade é um monte de coisas juntas, tudo ao mesmo tempo agora, transforma sua rotina numa corrida de 6 kilômetros com  200 obstáculos , e ainda assim, voltar pra casa e ver aquelas carinhas esperando ansiosamente por uma brincadeira, receber um abraço que quase te derruba no chão, é absolutamente fantástico. Faz a vida valer muito mais do que ela valia antes. Me faz ser muito mais feliz do que eu era antes. 

28 de fevereiro de 2013

Viajar com apenas um dos filhos, pode?

Você que é mãe de dois, três, quatro crianças adoráveis... que vc ama incondicionalmente todinhos os filhotes com a mesma intensidade sabe do que eu vou falar aqui...

Afirmo que a nossa vida é cheia de situações, de surpresas e de coisas que você e o pai dessas criaturinhas amadas terão que resolver e decidir, e nem sempre será a decisão mais fácil...

Eu já viajei sem meus filhos algumas vezes. Viagem a lazer, viagem a trabalho, todos os tipos de viagem...  sempre tive culpa e ansiedade, sempre acabo ficando doentinha antes de viajar, mas o fato é que quando estou lá no destino, sempre aproveito e me divirto muito. Começo a ficar de coração apertado conforme o tempo vai passando e a saudade vai apertando. Eu diria que 1 semana é o tempo limite para a saudade começar a cortar a alma. Cinco dias é ótimo porque vc sente saudades mas é suportável. Passou de 1 semana a saudade começa a doer e vc começa a sofrer. Você não, eu. Cada um funciona de um jeito... tenho amigas que viajam sem os filhos, tenho amigas que não viajam sem os filhos, tenho amigas que morrem de saudades e outras que ficam ótimas e poderiam ficar 1 mês fora... Tem de tudo, essa é a boa textura da maternidade. E esta é, como eu sempre digo, a parte boa de ter seus próprios filhos, todo mundo vai falar e palpitar mas você vai fazer apenas o que você achar melhor. Adoro.

Estou numa situação delicada, porque vamos fazer uma viagem com meu filho mais velho e não sabemos se levaremos o baby. Já viajamos com o mais velho e deixamos o pequeno aqui sob os cuidados da avó e foi super tranquilo. Mas ele era muito pequenino e não teria condições de levar, depois era aniversário do meu filho e a gente queria ter um momento só com ele, ele tinha acabado de ter um irmãozinho, achamos que seria legal pra ele ter os pais exclusivos por este período.

Desta vez é diferente. Teremos um evento de família em Israel. Israel é longe daqui. O tempo de viagem seria apenas de 4 dias lá, descontando a ida e a volta. São 2 vôos, o primeiro bem longo. Muito puxado pra ele. E pra mim. E depois voltaria sozinha com os dois. Isso me deixa um pouco nervosa, porque sei que  pensar em avião com 2 crianças me deixa tensa... odeio avião... meu mais novo é super pilha, não curte muito ficar paradinho, mas os dois se divertiriam juntos, é fato... Por outro lado penso que ele ficar quietinho na casinha dele por menos de 1 semana vai ser mais tranquilo, mais confortável pra todo mundo. 

Mas meu coração fica apertado. Eu não decidi nada ainda. Pendo para o lado de deixa-lo aqui. Mas a culpa de mãe me faz pensar que se carrego um porque não carrego o outro. E meu lado racional diz que eu como mãe devo valorizar o melhor para ele, e o melhor para ele é ficar na rotina dele e ser poupado de um batidão de 4 dias para tão longe.

Enfim, ser mãe é tomar decisões, viajar é muito bom, é uma delícia, mas uma viagem programada e com tempo é perfeita para fazer em família... já uma viagem corrida de última hora não me parece o melhor para um baby não é mesmo?

Aguardem o próximo capítulo.


14 de janeiro de 2013

E com 15 meses ele andou...

Meu amado baby boy, segundinho, depois de muito engatinhar e ensaiar, andou. Estava demorando, eu estava um pouco impaciente, o que é absolutamente errado, como mãe devo respeitar o tempo do meu filhote. Mas como mãe também sou ansiosa, e espero que ele tenha suas conquistas, e descubra a maravilha da liberdade de andar sobre as próprias perninhas... enfim, num sábado de tempo nublado em são paulo, ele andou. E meu coração ficou explodindo de felicidade. Filmei, compartilhei, comemorei.
Parabéns meu filho por este marco tão importante na sua vidinha pequenina.
Mamãe está muito feliz e orgulhosa de você.
Te amo.

10 de setembro de 2012

1 ano de Beny


Meu coração está em festa. Meu bebê vai fazer 1 ano daqui 7 dias... Dizer que passou rápido é óbvio e nem vale a pena. Vôou. Mas de um jeito gostoso. 

Você foi mostrando a pessoinha especial que é desde o dia em que nasceu, em todas as suas peculiaridades e em todas as suas particularidades que o diferem do David... tornando tudo mais gostoso, afinal você é único, assim como o David... (assim como todos nós) só que diferente.

Você é um bebê carinhoso, engraçado e estabanado. Ansioso, intolerante e grandão. Fofo, calmo e bonito. Posso ficar falando muitas coisas sobre meu bebezinho que está quase andando, já ensaia várias palavrinhas e imita quase tudo o que a gente propõe. Parece um koala, de tanto que gruda no meu colo. E eu adoro.


Bagunceiro e aventureiro, adora se jogar na vida, ver o mundo de ponta cabeça e fazer manobras radicais no meu colo ou no berço... ou em qualquer lugar. Veio pra completar a família, pra colocar a peça que faltava, pra preencher o seu espaço nas nossas vidas e no meu coração.

Eu sempre te quis, e ter você na minha vida, nas nossas vidas é uma benção. Sou apaixonada por cada pedacinho de  você, pelo seu cheirinho, pela sua cara fofa, pelas bochechas rosadas, pelo olho azul encantador, pelos dois dentinhos existentes e pelo que está nascendo, por tudo o que vivemos juntos e por tudo o que está por vir. 

Este é o seu mês, eu só desejo para o seu primeiro de muitos aniversários o mesmo desejo de sempre: saúde, proteção, cura e vida longa e feliz. Que tudo o que você desejar nesta vida se realize. Que você seja o homem incrível que o bebê promete ser. Que a gente viva muitas alegrias, muitas realizações, que a gente ria muito, se divirta muito e aprenda muito juntos. Que nossa família seja pra você o que é para mim, para o papai e para o David: Tudo!

Em breve você estará andando e desbravando o mundo, que o mundo seja generoso com você e você com ele (e com as pessoas).

Desejos de uma vida feliz pra sempre, da sua mãe que te ama incondicionalmente, e que o dia do seu aniversário traga uma nuvem de acontecimentos felizes que durem por toda a sua vida. Assim como meu amor por você e pelo David que é eterno e imenso, que está tatuado na minha pele e na minha alma, que só cresce a cada dia. Feliz pelas suas conquistas até hoje e torcendo pelas conquistas futuras.

Feliz Aniversário Beny meu filho querido e amado!

Meu coração está em festa. E você é a razão. Te Amo. Seja muito, muito feliz por toda a vida.


imagem tirada daqui www.printerest.com

26 de julho de 2012

Por que os bebês são tão fofos?

Eu descobri. Os bebês são absurdamente fofos, deliciosos e incríveis. 
Quando minúsculos os bebês tem um cheiro incrível, uma aparência linda e da uma paz gigante ficar olhando um bebê dormir.
Se um bebezinho adentrar um ambiente feminino, TODAS as mulheres vão ficar oimmmmmmmmm...
Os homens não se sensibilizam tanto com os bebês. Aguns sim, mas não a maioria. Já as mulheres, mesmo as que não querem ter filhos, ficam mexidas com os bebês.
Ver fotos de bebês sorrindo faz a gente rir. Ver fotos de bebês nascendo faz a gente se emocionar. Ver fotos de bebês chorando faz a gente ficar com peninha. Ver bebês fazendo tudo isso pessoalmente é impagável. E por que tudo isso minha gente?
Simples. Porque os bebês são botos, já dizia minha amiga. Eles enfeitiçam. Eles são sensíveis, vem com a energia fresquinha do além... do amor, da vida. Os bebês são mágicos. Aprendem tudo com uma facilidade imensa. Evoluem muito rápido, quase na velocidade da luz. Sem ao menos que vc se de conta. E quando vc tem um exemplar de fofurice destas em casa, aí a mandinga tá completa minha amiga. Esse bebê vai fazer de vc gato e sapato, vai chorar por todos os motivos possíveis e imagináveis (inimagináveis também), vai te deixar com olheiras terríveis, vai te privar de uma noite inteira de sono por alguns anos, vai requerer toda sua energia, todo seu amor, todo o seu tempo, tudo de você e em troca vai te dar gargalhadas com uma gengiva banguela incrível, abraços apertados de koala que o mundo poderia acabar naquele momento porque vc vai se sentir a pessoa mais querida do universo...vai evoluir a cada minuto do dia e mostrar para vc o brilhante trabalho que você fez ao colocar ele no mundo...
Você não estará disponível para o amor da sua vida (nem pra vc) por um bom tempo, as necessidades deste serzinho boto sempre virão antes de tudo de vcs dois e ainda assim vocês vão se sentir muito parceiros... e vão sentir um orgulho enorme de terem colocado a mini pessoa no mundo... de terem feito juntos esse projeto piloto, o maior da vida de vcs... 
Claro que quando o botinho não dormir a noite, chorar nos momentos inoportunos, sofrer ou ficar doente vai fazer você querer se matar... mas no dia seguinte o sol volta a brilhar, e junto com ele aquele sorrisão banguela encantador com dois dentinhos reluzentes em um pontinho do gengivão.

É... tem que ser muito boto pra fazer você viver na montanha russa e ainda querer mais e mais.
Bebês são magos. Feiticeiros. Encantadores. Mas crescem muito rápido.



27 de junho de 2012

Time for me.




Time for me.
Momento de olhar para meus pés, para meu umbigo. De olhar para o corte da minhas duas cesáreas. De olhar para o céu, para as núvens, para o chão, para a grama, para a luz da lua.
Momento de me separar do meu bebê de 9 meses, angútia da separação. Ele percebeu que nós não somos a mesma pessoa e está sofrendo um pouquinho com isso. Estranhando todas as pessoas, sofrendo para se separar de mim. Mas estamos nos separando emocionalmente. Estaremos juntos para sempre, mas este é o momento em que vc percebe que não somos a mesma pessoa filho. Você morou dentro de mim, nós ficamos meses grudados, te amamentei por 7 meses, nosso vínculo se formou para sempre, mas agora, é a hora, em que vc vira uma pessoinha cheia de vontades, quer se comunicar, quer se movimentar, quer ter autonomia e eu viro pessoa de novo.
Eu olho para o meu cabelo e questiono o comprimento. Eu olho pra minha barriga e vejo marcas de que alguém morou ali. Eu olho para mim e vejo que sou feita de desejos e sonhos. E corro atrás deles neste momento. Olho para mim. Penso em mim. Depois de pensar em vcs, e de olhar para vcs. Mas eu existo além de vcs. Somos 3. Simplesmente somos nós. Mãe e filhos.

16 de junho de 2012

DUAS BARRIGAS EM NY - O MELHOR POST DO MUNDO!

O melhor post do mundo. Difícil. Ainda mais para alguém que escreve sem a menor pretensão, gabarito ou conhecimento. Ainda mais para alguém que escreve por escrever, para fazer disto um diário só para dividir os sentimentos, para colocar pra fora, para não transbordar.

Mas ir para New York por ganhar o prêmio de melhor post do mundo, motiva qualquer um a escrever algo especial. Afinal New York é  New York (e o que isso quer dizer mesmo?)

Volto no tempo, e me lembro de duas passagens únicas em NY. Nas gravidezes dos meus filhos. Quer situação mais especial que esta? Duas vezes especial.


Primeira Passagem

Tentando engravidar. Alguns meses fazendo testes de farmácia. Negativos. Planejamos uma viagem para NY. Delícia, namoro descompromissado,  bons restaurantes, peças da Broadway, Central Park, compras.... baladinhas e  curtir a cidade que never sleep (nunca dorme). Parece perfeito né? Mas pode ficar mais perfeito. Eu tinha que tingir a raiz do meu cabelo antes de viajar. Passagem marcada para dia 29 de agosto. Era dia 25 de agosto. Eu precisava encontrar tempo entre trabalhar e conseguir resolver os preparativos da trip, tingir a raiz dos cabelos era um ítem do meu check list. Mas como estava tentando engravidar, passou pela minha cabeça que maybe (talvez) aquele mês o teste desse positivo. Torcia para que sim, então antes de tingir os cabelos, resolvi agendar um teste de gravidez de sangue no Fleury. Quis fazer logo o teste de sangue para pular o momento teste de farmácia e depois eu ia ter que fazer a confirmação mesmo, então fui direto ao ponto. Não me pergunte porque eu fiz isso, mas acho que dentro de mim, tinha algum sexto sentido dizendo que podia estar grávida... ou talvez fosse somente esperança. Saí na hora do almoço do trabalho rapidex e fui para o Fleury mais próximo colher sangue para o teste. Sangue colhido, voltei correndo para o trabalho, mordi um sanduíche no meio do caminho e voltei para a realidade. Tinha uma festa do marido a noite e por isso estava " montada" num look festa que todo mundo do trabalho estranhou. A noite fomos para a festa. Eu estava me sentindo meio estranha, com dor de cabeça, mas encarei a festinha. Tomei meia taça de vinho, empapuçou. Tomei água. Fiquei com sono. Voltamos para casa, liguei o rádio do carro e tocava a música da Marina: Grávida. A Música diz: " é que eu tô grávida, de um avião... é que eu tô grávida... achei coincidência ouvir aquela música no dia em que eu havia feito um teste de gravidez. Ficava fantasiando se poderia estar grávida. Nem havia dito para o marido sobre o teste. Quando chegamos em casa eu estava exausta. Fui direto para o banho. E ele entrou no banheiro para falar comigo e eu disse que havia feito um teste de sangue no Fleury. Ele me perguntou sobre o resultado. Eu disse que não tinha visto ainda, que nem sabia se já havia saído. Ele me disse se eu não estava curiosa. Eu disse que estava mais cansada do que curiosa. Ele disse que estava mais curioso do que cansado e quis ir na internet olhar o resultado. Eu falei: " pode ir" . Ele foi. Em alguns minutos ele voltou para o banheiro. Entrou no chuveiro junto comigo e disse: " você vai ser mamãe!" Choramos, rimos, ficamos embaixo do chuveiro um tempão juntinhos curtindo a notícia. Foi muito especial. Quase não dormimos aquela noite de tanto medo e euforia juntos misturados. Fomos para NY e a viagem foi bem diferente do que planejamos. Eu estava enjoada, sem beber álcool, me cuidando mais do que tudo neste planeta e era tudo tão novo que não conseguia comprar nada para o bebê com medo de que não vingasse. Mas vingou. E tá aqui, lindão com 4 anos de vida. Sempre me fala que já viajou para NY na barriga da mamãe. Viajou mesmo. E foi incrível.

Segunda Passagem

Estava grávida de 20 semanas do segundo filho. Passagem comprada desde o início da gravidez para ir para NY fazer o enxoval do baby com a minha cunhada e amiga super experiente em enxovais, mãe de 3 meninos. Sofrendo com contrações desde as 16 semanas de gravidez. Surtando de medo de perder o bebê uma vez que já havia sofrido um aborto retido em uma gravidez anterior com 9 semanas. Me recuperando do repouso de 3 semanas por causa das excessivas contrações em um estágio muito precoce da gravidez. Liberação do médico em mãos, cartinha de recomendação e autorização para viajar e let's go! (vamos nessa!)
Curtindo minha fase linda com uma barriguinha de 5 meses (quase 6), usando calça jeans e todas as minhas roupas de antes de engravidar, escolhendo com todo carinho do mundo peça por peça do enxoval do baby. Outro menino. Tudo azul de novo. Enxoval do quarto lindo escolhido na Pottery Barn Kids, minha loja preferida de decor para crianças. Eis que depois de dar uma little (pequena) exagerada, as contrações aparecem. Medo. Pânico de parir antes da hora e ainda mais em NY, longe da minha casinha, do meu país. Ligo para o meu médico que me receita buscopan e um outro remédio que eu não me lembro o nome. Eu tinha alguns comprimidos, mas não o suficiente para todos os dias na dosagem que ele me recomendava. Eu tinha que comprar. O meu médico passou o fax para o hotel com a receita. Levamos a receita em umas 5 farmácias. Nenhuma nos vendeu. Em cada uma era uma desculpa diferente (você já tentou comprar remédio nos EUA ou na Europa? Espero que você nunca precise). Meu médico recomendou repouso relativo. Relativo? Em NY? Fazendo enxoval? WTF?

Eis que minha cunhada teve duas brilhantes idéias: contratar um choffer (amei, trés chic!) assim eu não precisaria andar quase nada... e alugar uma cadeira de rodas para os trajetos a pé. Concordei e achei bom. Tudo pelo bem do neném. Foi super difícil. Primeiro para ela empurrar a cadeira (haja braço) depois para contornar os obstáculos, depois porque a cada loja que entrávamos eu simplesmente me levantava e encostava a cadeira deixando todos os atendentes com cara de ?
Depois por receber olhares de compaixão vindo de TODOS os lados: grávida, jovem e cadeirante: Poor Girl (pobre garota). Ganhei desconto em várias coisas, mesmo recusando. 

Aí aconteceu o episódio derradeiro: A roda da cadeira soltou, no meio da 5o. Avenida, eu sem saber se levantava e ajudava ela ou continuava ali parada, caindo para um lado da cadeira bamba... eis que começa a surgir um movimento de pessoas para ajudar, um homem forte levanta a cadeira e conserta a roda em questão de segundos, e em seguida me pede um beijo... Oi? Um beijo? Sim, um beijo pelo meu trabalho... e todas as pessoas em volta na torcida... tive que dar. Um beijinho na bochecha do homem forte e generoso. Minha cunhada olhava pra mim e dizia baixinho :  " se vc se levantar daí vão pegar a gente de porrada, agora fique quietinha..."

Ai que situ. Foi puxada. E depois que tudo acabou e saímos dali, sentamos num café e ficamos recuperando o ar. E rimos. E quase choramos...rs
E eu quase me levantei e larguei aquela cadeira lá mesmo... mas não podia. Pelo bem do baby.
Então depois de quase beijar os pés da minha cunhada por ter aguentado uma grávida louca e em estado " delicado" em NY, voltamos para São Paulo, eu aflita com o vôo de volta, rezando pra ficar tudo bem com o bebê, para que aquelas contrações não passassem de bobagens da gravidez. E ficou. E duas semanas após voltar as contrações cessaram, fiquei medicada e a gravidez fluiu que foi uma beleza. Tão beleza que o mini pessoa já está ha 2 dias de fazer 9 meses e com o primeiro dentinho que nasceu antes de ontem.

Coisas da vida. Coisas que aconteceram em NY. Adoro esta cidade. E tenho lembranças conturbadas mas muito felizes. Meus dois maiores presentes da vida viajaram para NY na minha barriga. Em breve espero ir com os dois fora dela. E mostrar tudo o que fizemos em outras ocasiões. Tudo a seu tempo. 
Tudo do jeito que tiver que ser.